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Por que a RoHS Brasil foi criada?

A criação da RoHS (Restriction of Hazardous Substances) ou (Restrição de Certas Substâncias Perigosas) no cenário nacional, por meio da publicação da Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº 516/2026, atende à necessidade premente de estabelecer um marco regulatório voltado para o controle ambiental no parque industrial e de importação brasileiro. O normativo nasceu com o objetivo central de restringir a utilização de substâncias perigosas e nocivas à saúde humana e ao meio ambiente em equipamentos eletroeletrônicos comercializados em todo o território do país. Com sua entrada em vigor imediata a partir de 10 de julho de 2026, a resolução põe fim à ausência de uma regra nacional específica sobre o tema.

Historicamente, o mercado nacional carecia de um dispositivo legal centralizado que definisse prazos estruturados para a eliminação de componentes químicos nocivos tradicionais na manufatura de eletroeletrônicos, a exemplo do chumbo, mercúrio e cádmio. A norma foi estruturada justamente para cobrir essa lacuna, determinando obrigações diretas a fabricantes e importadores. Ela visa transformar a cadeia de suprimentos tecnológica, forçando a substituição progressiva dessas matérias-primas por elementos inertes e seguros antes que os produtos cheguem ao consumidor.

Além da restrição direta de compostos químicos, a normativa foi concebida para criar mecanismos de monitoramento e rastreabilidade que antes inexistiam no país. O maior reflexo disso está no desenvolvimento de ferramentas fiscalizatórias específicas, voltadas a documentar a conformidade de ponta a ponta na cadeia produtiva. Desta forma, o ecossistema regulatório brasileiro passa a contar com um aparato voltado a auditar a composição química dos produtos eletrônicos que circulam no mercado interno

Alinhamento com o Mercado Global

O alinhamento da Resolução CONAMA nº 516/2026 com as diretrizes do mercado externo é um dos fatores fundamentais que justificam sua importância para a economia brasileira. A espinha dorsal do texto nacional preserva estrita simetria com parâmetros já consolidados e amplamente testados em legislações equivalentes internacionais de vanguarda. O principal espelho técnico adotado foi o modelo aplicado pela União Europeia, reconhecido globalmente pelo rigor técnico no controle de substâncias de alta periculosidade.

Dúvidas técnico-operacionais específicas sobre como cada ensaio internacional será aceito em território nacional dependem de detalhamentos regulatórios que ainda serão emitidos pelas autoridades brasileiras. Contudo, a busca pela compatibilidade regulatória visa, conceitualmente, atenuar o surgimento de barreiras técnicas artificiais ao comércio. Ao adotar as premissas da RoHS internacional, o Brasil sinaliza que suas exigências fabris operam sob o mesmo patamar de qualidade exigido nos mercados mais desenvolvidos do planeta.

Quais serão os impactos da norma?

Os impactos imediatos da RoHS Brasil concentram-se na reengenharia de processos internos e na adequação documental mandatória de portfólios por parte de fabricantes e importadores. No âmbito operacional, a principal inovação — e maior desafio de curto prazo — é a instituição do Cadastro Nacional de Equipamentos Eletroeletrônicos com Restrições de Substâncias Perigosas (Capítulo III), sistema digital que funcionará como repositório de laudos de conformidade. Embora o sistema ainda vá ser implementado pelo órgão ambiental competente, as empresas terão um prazo estrito de 12 meses para preenchê-lo assim que estiver no ar.

Outro impacto regulatório crucial reside no cronograma de consolidação jurídica determinado pelo próprio CONAMA. O conselho tem o dever legal de estabelecer, em um período de até 180 dias contados da vigência da resolução, as portarias complementares que vão regulamentar a fiscalização, os ritos de aplicação e as responsabilidades dos órgãos intervenientes. A exata forma como a fiscalização física ocorrerá e o detalhamento das sanções administrativas aplicáveis constituem, neste momento, uma lacuna operacional sob monitoramento, gerando incertezas que exigem atenção das empresas.


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